
Muitos são os que acreditam que para um músico se tornar imortal tem apenas duas opções: ser talentoso ou morrer cedo.
A história está cheia de exemplos do segundo caso. No entanto, figuras houve que deixaram uma marca indelével na cultura do nosso tempo, “libertando-se da lei da morte” através da sua arte e engenho. Buddy Holly, Ritchie Valens, Otis Redding, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Tim Buckley e Kurt Cobain faleceram antes de completarem trinta anos, mas todos ficarão eternamente ligados à história da música popular do século XX.
Ian Curtis viveu apenas vinte e três anos e entra, sem dúvida alguma, para o mesmo pedestal. Até ao dia em que decidiu terminar com a sua existência, foi vocalista de uma das mais míticas bandas nascida em Inglaterra na era punk, os Joy Division. Muitos críticos apontam os Joy Division como os primeiros a conseguirem libertar-se das amarras do movimento punk, e da irreverência e revolta sobejamente expressas, assumindo uma postura mais melancólica, precursora das bandas indie dos anos 80.
Epiléptico, depressivo, melancólico, solitário, Curtis não resistiu à pressão que incidiu sobre a sua vida pessoal e profissional, suicidando-se no dia 18 de Maio de 1980, precisamente na véspera do início de uma tournée dos Joy Division pelos Estados Unidos.
O filme Control, de Anton Corbijn, realizado em 2007, acompanha a vida de Curtis entre a promessa de uma vida normal, com mulher e filha, e a vertigem do sucesso. Baseado na biografia escrita por Deborah Curtis, viúva de Ian, e fotografado num sublime preto e branco, o filme ganhou prémios um pouco por todo o mundo, sobretudo para o realizador e para Sam Riley, um actor inglês que nasceu precisamente no ano (1980) da morte do músico que tão bem soube homenagear.