segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

17 de Dezembro - O Fiel Jardineiro

O Fiel Jardineiro (The Constant Gardener) pode não ser uma obra-prima. Tem, no entanto, uma enorme virtude: é um filme de uma coragem impressionante. Em primeiríssimo lugar porque é um manifesto de denúncia e, depois, porque permite uma reflexão muito mais profunda e intensa do que qualquer manifestação pelos direitos humanos.
Adaptado, do excelente romance de John Le Carré, pelo cineasta brasileiro Fernando Meirelles (também responsável por Cidade de Deus e Ensaio Sobre a Cegueira), O Fiel Jardineiro é um filme perturbador pela forma crua como separa, a vários níveis, duas maneiras de ver o mundo: pelo prisma dos grandes negócios que tudo devastam, mesmo os mais elementares princípios, e pelos olhos dos que sofrem, todos os dias, essa sede de poder. Trata-se, no fundo, de uma Guerra das Estrelas sem sabres de luz. De um lado, o império do mal, representado por uma indústria farmacêutica cega pelo lucro; do outro, os defensores da justiça e dos direitos humanos, conscientes plenos da sua humanidade.
Nos actores, a nota maior vai para Rachel Weisz, numa interpretação que lhe valeu o Óscar para melhor actriz secundária.

Resumo do argumento: Num país africano, um viúvo procura esclarecer as circunstâncias da morte da sua esposa, uma activista pelos direitos humanos. À medida que vai descobrindo o que efectivamente aconteceu, confronta-se com interesses que ultrapassam tudo o que imaginara. Numa corrida contra o tempo, Justin Quayle (Ralph Fiennes) também se aproxima, através da memória, do espírito justo e livre da sua jovem esposa Tessa (Rachel Weisz).

Trailer do filme:

domingo, 6 de dezembro de 2009

10 de Dezembro - Dia da Declaração Universal dos Direitos do Homem - Crianças Invisíveis

10 de Dezembro é o Dia Internacional da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Em colaboração com a Biblioteca da nossa Escola, comemoramos este dia com a apresentação do filme Crianças Invisíveis (All The Invisible Children).

Trata-se de uma película dividida em sete segmentos, cada um da responsabilidade de um realizador (só um é dirigido a quatro mãos), que pretende, sobretudo, sensibilizar os espectadores para o permanente sofrimento a que estão votadas as crianças, um pouco por todo o mundo, neste novo milénio.

São sete poderosos testemunhos de como em qualquer lugar, até ao nosso lado, há crianças que se limitam a sobreviver na sociedade injusta e imoral que lhes é imposta pelos adultos. As mensagens transmitidas pelo filme podem traduzir um lema já abordado pelo padre António Vieira no seu Sermão de Santo António aos Peixes: “servir-vos-ão de confusão, ainda que não seja de emenda” (que os alunos do 11.o ano certamente recordarão).

Das favelas do Brasil a um cenário de guerra num qualquer país africano, de Nova Iorque aos bairros de lata italianos, da ex-Jugoslávia a uma metrópole asiática, as imagens de Spike Lee, Emir Kusturica, Ridley Scott ou John Woo são, também elas, muito dolorosas para quem sabe que as condições em que vivem muitas crianças não são dignas da nossa humanidade, do nosso progresso, democracia e liberdade.

Além da guerra, da violência, da ausência parental, da miséria extrema, outras problemáticas são abordadas, com especial destaque para as inocentes crianças portadoras de SIDA (no episódio de Spike Lee) e para a ilusória felicidade trazida pelo dinheiro (no delicado segmento de John Woo).

Trailer do Filme:

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Dezembro - Os Direitos Humanos

Para Dezembro, e por sugestão da equipa da Biblioteca da Escola Secundária Raul Proença, escolhemos a temática dos direitos humanos, procurando assinalar o Dia da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Além disso, pensámos em seleccionar filmes que retratassem problemas actuais, realidades que afectassem este nosso mundo, cada vez mais construído longe dos valores que pretendemos, na nossa utopia, defender, como a verdade, a liberdade e a igualdade. Nesta linha de pensamento, optámos por películas que denunciassem situações extremas e que contribuíssem para uma reflexão atenta e profunda por parte, sobretudo, dos alunos.

O Menino de Cabul, realizado em 2007 por Marc Forster, é a adaptação cinematográfica do best-seller The Kite Runner, de Khaled Hosseini. O realizador de À Procura da Terra do Nunca tinha uma tarefa muito difícil entre mãos, uma vez que, além de trabalhar com actores praticamente desconhecidos, teve de se resignar a filmar grande parte da sua película em território chinês, procurando recriar fielmente a capital do Afeganistão, tanto nos anos 70 como na actualidade. A escolha dos produtores acabou por se revelar acertada e a sensibilidade de Forster foi fundamental para a boa aceitação por parte dos críticos, e também do público, tendo o filme sido premiado em alguns festivais internacionais.

Apesar de a acção da história se situar dentro de características e vivências muito próprias, nomeadamente a situação política vivida nas últimas décadas no Afeganistão, tanto o livro como o filme abrem caminhos para interpretações mais abrangentes, conseguindo destacar, de forma muito intensa, os sentimentos da personagem principal e colocando-nos perante o forte dilema de perdoar ou criticar as suas atitudes.

Resumo do argumento: Amir e Hassan, dois rapazes de etnias distintas, crescem juntos em Cabul, capital do Afeganistão, durante a década de 70 do século XX. Apesar de Hassan ser filho do criado do pai de Amir, a diferença na condição social não é um entrave ao desenvolvimento de uma grande amizade. Um dos passatempos preferidos das duas crianças é a participação em concursos de lançamento de papagaios de papel. No dia memorável em que vencem um desses concursos, um acontecimento trágico pode separá-los irremediavelmente. Entretanto, os tanques soviéticos invadem o Afeganistão, alterando a vida de toda a população. Poderá a amizade entre Amir e Hassan sobreviver?

domingo, 22 de novembro de 2009

26 de Novembro - Drácula de Bram Stoker

Guardámos para o fim do nosso ciclo "vampiresco" aquele que é unanimemente considerado rei das criaturas da noite. Drácula, conde da Transilvânia, inspirou o mundo do espectáculo desde a publicação do romance de Bram Stoker, em 1897.
O notável filme de Francis Ford Coppola, estreado em 1992, retoma a figura dolorosa e trágica que atravessa o tempo sob o peso de um enorme desgosto de amor. Drácula não é um monstro sedento de sangue, é uma criatura sempre solitária, ainda que rodeado das mais belas mulheres, à procura do amor perdido. Ao mesmo tempo que nos delicia com o seu virtuosismo técnico e com o seu extraordinário sentido narrativo, Coppola constrói uma história fidelíssima ao romance original (daí a inclusão do nome de Bram Stoker no título), bebendo inspiração em duas outras obras maiores da história do cinema: Nosferatu, Uma Sinfonia das Trevas (1922) de Friedrich W. Murnau (considerado o mais belo filme europeu de sempre pela Cinemateca Portuguesa e um dos maiores testemunhos do expressionismo alemão) e Dracula (1931), de Tod Browning (a primeira adaptação "sonora", com um notável Bela Lugosi).
Gary Oldman é um conde Drácula a dobrar. Primeiro, é um velho que prima pela sua excentricidade. Depois, quando a acção "viaja" até Inglaterra, transforma-se num sedutor romântico, elegante e irresistível. Esta é uma inovação trazida pelo realizador, receoso, talvez, que a sua personagem se tornasse mais memorável que o próprio filme, algo que acontecera inúmeras vezes, nomeadamente com Bela Lugosi e Christopher Lee (protagonista de vários filmes, da companhia inglesa Hammer, centrados na personagem do príncipe das trevas).
Muito mais haveria a dizer sobre o filme de Coppola mas isso seria retirar espaço para a discussão que se pretende criar.

Resumo do argumento: Jonathan Harker (Keanu Reeves) desloca-se até ao castelo do conde Drácula (Gary Oldman), na Transilvânia. Aquilo que seria uma vulgar viagem de negócios transforma-se numa vertigem de horror, uma vez que o excêntrico conde descobre que Mina (Winona Ryder), a noiva de Jonathan, é uma reencarnação de Elisabeta, a mulher que perdera na longínqua Idade Média e a quem a Igreja recusara um funeral cristão. Esta decisão revoltara o conde, levando-o a desafiar Deus e a transformar-se, a partir daí, numa criatura das trevas. Drácula tudo fará para reencontrar o seu amor mas pela frente terá a oposição decidida do dr. Van Helsing (Anthony Hopkins).

Trailer do filme:

domingo, 15 de novembro de 2009

Entrevista Com o Vampiro - 19 de Novembro

O terceiro filme da nossa temática de Novembro é Entrevista com o Vampiro, realizado pelo irlandês Neil Jordan. Trata-se da primeira adaptação das Vampire Chronicles, uma série de romances da escritora Anne Rice. Aguardado com enorme expectativa aquando da sua estreia, fruto do enorme sucesso alcançado pelo livro, e com dois dos "meninos bonitos" de Hollywood nos principais papéis, esta obra ficou um pouco na sombra do Drácula de Bram Stoker, realizado dois anos antes pelo enorme Francis Ford Coppola. Mesmo assim, atraiu as atenções dos espectadores um pouco por todo o mundo, contribuindo para uma certa visão romântica dos vampiros, seres solitários, perdidos no labirinto da sua condição e "condenados" a viver para sempre na escuridão da noite, alimentando-se do sangue alheio. A acção do filme acompanha a história da personagem de Brad Pitt durante dois séculos, desde o Louisiana do final do século XVIII até à actualidade.

Resumo do argumento: Um jornalista recebe o furo da sua vida quando se vê fechado num minúsculo apartamento com um homem estranho. Louis de Pointe du Lac (Brad Pitt) tem uma aparência jovem mas vive, literalmente, há séculos na solidão. Agora, sentiu necessidade de revelar como chegou ali. Tudo começara há duzentos anos quando, depois de perder a mulher, conheceu Lestat (Tom Cruise), um vampiro que se entretinha a dizimar a população de Nova Orleães...

Trailer do filme:

domingo, 8 de novembro de 2009

Twilight - Crepúsculo - 12 de Novembro

Como segundo filme da nossa temática de Novembro, e em colaboração com o Núcleo de Leitura, da Imagem e da Palavra, escolhemos a adaptação do primeiro tomo da saga criada por Stephenie Meyer. Muito embora se trate de um filme que desiludiu alguns dos fãs da série (o que acontece muitas vezes com as adaptações cinematográficas de romances "da moda"), merece, no mínimo, o benefício da dúvida.
Na verdade, podemos afirmar que não é um verdadeiro filme de vampiros, contando-nos uma história de amor, quase, impossível, entre dois adolescentes, separados pela sua condição: ela é uma vulgar mortal; ele é um vampiro "diferente". O espaço onde decorre a acção, no noroeste dos Estados Unidos, faz lembrar a mítica série Twin Peaks, de David Lynch, que seduziu os telespectadores no início dos anos 90. Stephenie Meyer, ao mesmo tempo que respeita alguns dos limites impostos pela tradição de um género inventado por Bram Stoker, no seu Drácula, sabe inovar e construir uma narrativa inteligente, alicerçada na impossibilidade de concretização do amor que une as personagens principais.
Quando se anuncia para o final deste mês de Novembro a estreia, em Portugal, de Lua Nova, o segundo capítulo da saga, nada melhor que rever Crepúsculo.

Podes ver o trailer do filme:

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A Retrospectiva de David Cronenberg


Para além de trazer ao nosso país nomes incontornáveis da indústia cinematográfica, com destaque para os nomes de Francis Ford Coppola, Robert Frank e Juliette Binoche, a edição de 2009 do Estoril Film Festival apresenta a retrospectiva integral da obra do realizador canadiano David Cronenberg.

Este antigo estudante de literatura soube, ao longo das últimas quatro décadas, conquistar um lugar aparte na história do cinema. A sua obra, sempre controversa, tem vindo a centrar-se na exploração de temáticas que provocam os espectadores, seja pela sua crueza, seja pela sua ambiguidade, podendo, inclusivamente, roçar aquilo a que alguns não se inibem de catalogar como mau-gosto.

No entanto, para o pacífico (diz quem o conhece bem) Cronenberg, o cinema constitui o veículo ideal para explorar o universo interior do ser humano, nas suas profundas contradições e nos seus múltiplos receios. O olhar de Cronenberg torna-se obsessivo sempre que, desrespeitando os limites a que a moral nos obriga, se detém na simplicidade dos actos que qualquer um de nós, em situações extremas, pode cometer.

Como grandes referências na obra deste realizador temos filmes como Zona de Perigo (1983), A Mosca (1986), Irmãos Inseparáveis (1988), Crash (1996), e os recentes Uma História de Violência (2005) e Promessas Perigosas (2007).

sábado, 31 de outubro de 2009

Ciclo Temático de Novembro: Vampiros

Depois de, em Outubro, termos dedicado um ciclo ao século XVII, pensando, sobretudo, dar a conhecer aos alunos do 11.º ano de escolaridade, o tempo em que viveu o Padre António Vieira, decidimos, no mês de Novembro, assinalar o Halloween, escolhendo películas que estivessem relacionadas com esses seres fantásticos que têm povoado o campo infinito da nossa imaginação: os VAMPIROS.

Já no dia 5 de Novembro, o filme em análise será Os Rapazes da Noite (The Lost Boys, no título original), de Joel Schumacher (1987). Misturando alguns dos elementos clássicos dos filmes de terror com situações de comédia, este filme rapidamente ganhou a dimensão de um culto, ao mesmo tempo que contribuiu para o reconhecimento de jovens actores que, entretanto, souberam construir uma carreira de sucesso. Entre eles, destaca-se, claramente, Kiefer Sutherland (na altura, apenas conhecido por ser filho do grande actor britânico Donald Sutherland), consagrado hoje pela série, também ela de culto, 24.

Resumo da acção: Uma mãe e dois filhos adolescentes resolvem mudar-se para uma vila costeira do estado da Califórnia. Estão, no entanto, longe de imaginar que a sua vida naquelas paragens será tudo menos fácil, uma vez que a vila apresenta a maior taxa de pessoas desaparecidas do país. Ao mesmo tempo que a mãe tenta reconstruir a sua vida, os filhos conhecem pessoas novas: o mais velho apaixona-se por uma rapariga misteriosa, e que anda em más companhias, e o mais novo faz dois amigos que têm uma missão na vida: perseguir vampiros e destruí-los.

Podes ver o trailer do filme...

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Em Novembro, protege bem o pescoço, não por causa do frio ou da gripe A… mas porque a tua Escola vai ser invadida por Vampiros!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Bem-vindos

Nasceu, finalmente, o blogue do núcleo de cinema da Escola Secundária de Raul Proença. Deseja o seu criador que por aqui passe a contribuição de professores, alunos, funcionários, encarregados de educação e... todos os que gostem da sétima arte. É um espaço de acesso livre, no espírito de uma escola pública moderna e de projectos abrangentes, nomeadamente os culturais e artísticos, procurando concretizar a extraordinária ambição de educar para os (bons) valores.