
Sacanas Sem Lei, de Quentin Tarantino
Obra-Prima
“Era uma vez… numa França ocupada por Nazis.” É neste cenário que o brilhante e experiente contador de histórias Quentin Tarantino apresenta a sua mais recente longa-metragem. Tarantino, que até agora só tinha mencionado a Europa nos seus filmes, decide estrear o seu estilo no ponto mais violento de toda a história do continente: a Segunda Guerra Mundial.
Se a Europa está no seu auge de violência, também está esta fita entre todas da pequena (mas rica) colecção de Tarantino. O realizador (também argumentista, actor e produtor) já conhecido por usar a violência de forma exagerada, de arrancar orelhas (Cães Danados), passando por um tiro inesperado provocado por uma lomba (Pulp Fiction), ou os vários banhos de sangue e desmembramentos (Kill Bill), até à mais recente colisão a alta velocidade (À Prova de Morte), já tinha entrado na área do banal. Kill Bill e À Prova de Morte são a prova de que a sua violência cinematográfica tomou um caminho que começou no chocante e original e acabou no esperado, cómico, e até “uau! Que fixe!”.
A história (e antes de mais é preciso dizer que toda a fita é ficção) de duas horas e meia é contada em cinco capítulos e cenas enormes com um único tema: vingança. A vingança de Judeus sobre o Regime Nazi, por parte de uma jovem rapariga que perdeu a família e de um grupo de soldados conhecidos como os Bastardos. No entanto, tanto a rapariga como os bastardos têm planos diferentes para o mesmo propósito, na mesma data, no mesmo local e nunca se chegam a juntar. A única coisa que os une é o “Caçador de judeus” Standartfuhrer Hans Landa (Christoph Waltz), que tem como missão assegurar que a estreia de um filme de propaganda (onde estará Adolf Hitler) corre sem problemas. Papel que valeu a Waltz o prémio de melhor actor em Cannes e o Óscar de Melhor Actor Secundário, o que de todo foi merecido.
É impossível fazer uma crítica a este filme e passar ao lado das línguas faladas na fita: Inglês, Francês, Alemão e Italiano. Esta variedade que traz mais sumo ao filme não é usada de forma simples. A pronúncia e o conhecimento de cada personagem sobre cada uma das línguas é de extrema importância para toda a história do filme e, apesar de não saber falar Alemão, Francês e Italiano, fiquei com a impressão que todos os actores conseguiram imitar cada pronúncia sem falhas. Uma nota para aqueles que sabem uma das línguas faladas no filme: não se esqueçam de olhar para as legendas mal deixem de perceber o que estão a ouvir.
Já há algum tempo que não via um filme que me deixasse agarrado à cadeira até ao fim. Não me deixou a pedir por mais, pois tenho perfeita noção que poderia estragar aquilo que está perfeito, mas deixou-me a pedir para repetir: “Sabes uma coisa, Utivich? Acho que esta pode ser a minha obra-prima.” Sem dúvida!
Trailer do filme:




