domingo, 10 de janeiro de 2010

14 de Janeiro - Frankenstein de Mary Shelley

Com o filme que propomos esta semana, iremos abandonar definitivamente a ideia de que ser Romântico é ter comportamentos e atitudes destinados a despertar sentimentos de amor e paixão na pessoa desejada.

Quem ainda não conhece o movimento artístico que marcou as últimas décadas do século XVIII e grande parte do século posterior (chegando tardíssimo a Portugal mas ainda a tempo de deixar uma marca indelével na nossa cultura) poderá considerar quase escandaloso que uma história como a de Frankenstein possa conter atributos românticos. A verdade é que este romance, da autoria de Mary Shelley, publicado em 1818, possui muitas das características que nortearam a literatura mundial durante mais de um século, nomeadamente no evidente gosto pela temática do macabro (algo que atingirá o seu zénite na obra do norte-americano Edgar Allan Poe) e pela afirmação do indivíduo, carente de liberdade face a poderes que o ultrapassam, quer estes sejam divinos ou terrenos.

Reza a lenda que, ao escrever Frankenstein, Mary Shelley ganhou uma aposta feita com outros dois famosíssimos autores românticos: o poeta Percy Shelley (seu marido) e Lord Byron (este com ligações a Portugal, nomeadamente à zona de Sintra). No Verão, excepcionalmente chuvoso, de 1816, perto de Genebra, na Suíça, Mary (que não tinha ainda completado 19 anos), Percy e Byron concordaram em escrever histórias relacionadas com o sobrenatural, triunfando aquele que conseguisse elaborar o texto mais original. Ganhou ela… e ainda bem!

Convém desmistificar a ideia que normalmente se associa a Frankenstein: este nome é o do protagonista, o médico Victor Frankenstein, e não a designação do monstro criado a partir de experiências científicas. Apesar de, no romance e nas inúmeras adaptações teatrais e cinematográficas que esta obra conheceu, o monstro ser designado por Criatura (Creature), o imaginário popular encarregou-se de alterar o original, permitindo uma associação entre o nome Frankenstein e a Criatura. Na realidade, após a leitura do romance, ou visionamento do filme, entendemos esta confusão: qual dos dois, cientista ou criatura, revela menos atitudes humanas?

Frankenstein de Mary Shelley é um filme da responsabilidade do actor, encenador e realizador inglês Kenneth Branagh e constitui uma invulgar aproximação ao texto original, na sequência do que já tinha sido tentado, e com sucesso, dois anos antes por Francis Ford Coppola no seu Drácula de Bram Stoker. Com este filme, Branagh, que se tinha estreado na realização com uma adaptação sumptuosa de Henrique V, de William Shakespeare, dividiu os críticos. Na altura, o filme foi recebido com inúmeras reservas e só o tempo lhe conseguiu proporcionar alguma reflexão positiva. Para o papel da Criatura, foi escolhido Robert De Niro, sem dúvida um actor que marcou a história do cinema nas últimas décadas, que revela aqui, com toda a propriedade, todas as suas capacidades camaleónicas. No elenco, além de Branagh e De Niro, destaque ainda para Helena Bonham-Carter (actual esposa de Tim Burton), John Cleese (dos celebérrimos Monty Python) e para o actor que imortalizou Wolfgang Amadeus Mozart: Tom Hulce.

Resumo do argumento: Um médico, torturado pela morte da mãe, fica obcecado com a possibilidade de criar vida a partir de matéria morta. Numa noite memorável, os seus esforços são recompensados mas o resultado deixa-o na dúvida: afinal, criou um homem ou um monstro?

Trailer do filme:


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