domingo, 31 de janeiro de 2010

4 de Fevereiro - Os Marginais (The Outsiders)

Dez anos depois de realizar O Padrinho, um dos filmes de maior sucesso do cinema, Francis Ford Coppola abraçou o projecto de adaptação de um romance escrito sobre e para adolescentes. Em 1983, um dos melhores realizadores de todos os tempos encontrava-se numa situação completamente diferente da que experimentara na primeira metade da década anterior.

Com efeito, depois do sucesso das duas primeiras partes da saga da família Corleone, após uma chuva de prémios, e na sequência do reconhecimento internacional que se lhe seguiu, Coppola apostara toda a sua energia e talento em Apocalypse Now. Três anos de produção, entre as filmagens nas Filipinas (encenando o conflito no Vietname, esse pesadelo norte-americano), os excessos cometidos e as indecisões na montagem, quase conduziram o realizador à loucura. Dilacerado com o sucedido, Coppola aventura-se na concretização do seu sonho: total liberdade criativa.

É certo que Coppola, George Lucas e Steven Spielberg haviam transformado a história do cinema nos anos 70. O Padrinho, A Guerra das Estrelas, de Lucas, e Tubarão, de Spielberg, tinham ressuscitado a Hollywood de outras eras. As companhias cinematográficas “engordaram” o suficiente para pressionarem jovens realizadores a continuar com a receita, sempre com os olhos no lucro. Coppola recusou essa ideia e aventurou-se sozinho, comprando os Hollywood General Studios e fundando a Zoetrope. Em redor de Coppola, reuniram-se argumentistas, actores, técnicos e o que se seguiu foi a produção do seu primeiro filme de autor: Do Fundo do Coração (One From The Heart).

A aventura de Coppola revelou-se artisticamente brilhante mas financeiramente ruinosa. Gastaram-se mais de vinte e cinco milhões de dólares na produção do filme mas a receita foi… irrisória (trezentos mil dólares). Antes que o tsunami financeiro se abatesse sobre si, Coppola deu um passo em frente (mais tarde, foi obrigado a vender a Zoetrope), partindo para Tulsa, Oklahoma. Aí, iniciou castings a jovens actores, ainda na ressaca do desastre em que se transformara o filme que sempre sonhara fazer.

Os Marginais (The Outsiders) aparece assim como uma espécie de antidepressivo. Mais tarde, Coppola referiu que pretendera começar um novo ciclo, criando uma nova família (desta vez, não mafiosa) e apostando nos jovens, porque se sentira sempre muito mais à-vontade com a sua arte quando rodeado de gente de cabeça limpa. Para os candidatos a actor, o realizador era uma figura mítica e paternal. Matt Dillon, Tom Cruise, C. Thomas Howell, Diane Lane, Ralph Macchio, Patrick Swayze, Emilio Estevez e Rob Lowe ganharam em The Outsiders uma visibilidade que os iria conduzir a uma ascensão meteórica, sendo bem verdade que alguns não fizeram por o merecer.

O filme, através da mestria de Coppola, foi uma reflexão poderosa sobre a necessidade de ser amado, integrado e reconhecido. A marginalidade é apenas relativa e temporária, tendo sido essa a ideia original de S. E. Hinton, a autora do romance. Numa década que explorou ao máximo o mercado juvenil, com filmes que oscilavam entre o divertido e a boçalidade, a obra de Coppola ergue-se em toda a sua majestade, perseguindo as sombras da memória da cultura norte-americana, revitalizando um género que conhecera o seu esplendor através da figura iconográfica de James Dean.

Resumo do argumento: Numa cidade norte-americana, os Greasers e os Socs são dois bandos rivais. Aquilo que parecia ser apenas uma provocação, entre membros dos dois grupos, transforma-se em algo muito mais sério.

Trailer do filme:

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