
O filme ao qual damos o privilégio de inaugurar o nosso ciclo temático de Janeiro é A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (Sleepy Hollow), de um dos mais conceituados, imaginativos e excêntricos realizadores contemporâneos: Tim Burton.
Trata-se de uma opção óbvia pois a película é a adaptação de um conto publicado em 1819, em pleno período romântico, da autoria do americano Washington Irving. Na história original, o protagonista é um professor muito supersticioso mas Burton transforma a personagem, representada por Johnny Depp em mais uma das suas colaborações com o realizador de Eduardo Mãos-de-Tesoura, num detective que se serve das suas invenções científicas para deslindar os casos mais obscuros.
É curioso descobrir as características que aproximam esta obra cinematográfica do nosso Frei Luís de Sousa: o gosto pelas lendas de tradição popular (nomeadamente pelas histórias que fazem parte do imaginário colectivo de uma região ou de um país); a obsessão pela morte; a génese da formação de um país e a luta pela sua independência; a atracção por ambientes carregados de simbolismo; o receio do aparecimento de um fantasma à procura de consumar a sua vingança por quem o traiu em vida…
No filme, Burton é superlativo na forma como constrói um clima de terror sufocante, mantendo o espectador na dúvida sobre as intrigas e, também, a sanidade dos habitantes de uma aldeia remota, ao mesmo tempo que desconstrói, reduzindo-o a cinzas, o mundo racional em que se baseia a filosofia de vida do protagonista.
De assinalar a presença de Christopher Walken, um incontornável actor de culto, e de Michael Gambon, a quem já nos habituámos a ver no papel de Dumbledore na saga de Harry Potter. Contudo, a maior curiosidade prende-se com o nome da personagem que é assassinada logo no início da acção: nada mais nada menos que Peter Van... Garrett!

Vi este filme várias vezes, a primeira foi em 1999 quando este estreou no cinema.
ResponderEliminarNa altura o Actor principal ainda não tinha a fama que tem hoje mas, o seu talento já era notável e embora o papel não fosse tão difícil como o de Jack Sparrow de Os piratas das Caraíbas a representação de Johnny Depp encaixa no filme como uma luva.
O facto de Ichabod Cran, um personagem medricas e com medo de sangue, ser forçado a investigar o caso do cavaleiro sem cabeça da ao filme um leve humor.
Um filme a não perder.