quinta-feira, 29 de abril de 2010

"Um Filme da Minha Vida" - Sacanas Sem Lei (Inglourious Basterds), de Quentin Tarantino (por João Fernandes, aluno do 11.º CT5)


É com enorme satisfação que "postamos" um texto, por sinal excelente, da autoria de um aluno da nossa escola na rubrica Um Filme da Minha Vida. Os nossos agradecimentos ao João Fernandes e o desejo sincero de continuação de uma óptima cinefilia.

Sacanas Sem Lei, de Quentin Tarantino

Obra-Prima

“Era uma vez… numa França ocupada por Nazis.” É neste cenário que o brilhante e experiente contador de histórias Quentin Tarantino apresenta a sua mais recente longa-metragem. Tarantino, que até agora só tinha mencionado a Europa nos seus filmes, decide estrear o seu estilo no ponto mais violento de toda a história do continente: a Segunda Guerra Mundial.

Se a Europa está no seu auge de violência, também está esta fita entre todas da pequena (mas rica) colecção de Tarantino. O realizador (também argumentista, actor e produtor) já conhecido por usar a violência de forma exagerada, de arrancar orelhas (Cães Danados), passando por um tiro inesperado provocado por uma lomba (Pulp Fiction), ou os vários banhos de sangue e desmembramentos (Kill Bill), até à mais recente colisão a alta velocidade (À Prova de Morte), já tinha entrado na área do banal. Kill Bill e À Prova de Morte são a prova de que a sua violência cinematográfica tomou um caminho que começou no chocante e original e acabou no esperado, cómico, e até “uau! Que fixe!”. Em Sacanas Sem Lei, Tarantino não só volta às origens como também a torna mais real (com a excepção dos últimos minutos da cena do cinema). São poucas as pessoas que a determinada altura não olham para o lado ou tapam a cara.

A história (e antes de mais é preciso dizer que toda a fita é ficção) de duas horas e meia é contada em cinco capítulos e cenas enormes com um único tema: vingança. A vingança de Judeus sobre o Regime Nazi, por parte de uma jovem rapariga que perdeu a família e de um grupo de soldados conhecidos como os Bastardos. No entanto, tanto a rapariga como os bastardos têm planos diferentes para o mesmo propósito, na mesma data, no mesmo local e nunca se chegam a juntar. A única coisa que os une é o “Caçador de judeus” Standartfuhrer Hans Landa (Christoph Waltz), que tem como missão assegurar que a estreia de um filme de propaganda (onde estará Adolf Hitler) corre sem problemas. Papel que valeu a Waltz o prémio de melhor actor em Cannes e o Óscar de Melhor Actor Secundário, o que de todo foi merecido.

É impossível fazer uma crítica a este filme e passar ao lado das línguas faladas na fita: Inglês, Francês, Alemão e Italiano. Esta variedade que traz mais sumo ao filme não é usada de forma simples. A pronúncia e o conhecimento de cada personagem sobre cada uma das línguas é de extrema importância para toda a história do filme e, apesar de não saber falar Alemão, Francês e Italiano, fiquei com a impressão que todos os actores conseguiram imitar cada pronúncia sem falhas. Uma nota para aqueles que sabem uma das línguas faladas no filme: não se esqueçam de olhar para as legendas mal deixem de perceber o que estão a ouvir.

Já há algum tempo que não via um filme que me deixasse agarrado à cadeira até ao fim. Não me deixou a pedir por mais, pois tenho perfeita noção que poderia estragar aquilo que está perfeito, mas deixou-me a pedir para repetir: “Sabes uma coisa, Utivich? Acho que esta pode ser a minha obra-prima.” Sem dúvida!

Trailer do filme:

1 comentário:

  1. Concordo.. o texto está excelente! Parabéns João...
    Quanto ao filme, é de facto uma obra-prima que merece ser vista!
    Leonor Rodrigues 11ºAv1

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